Mestre Pastinha: A visão da luta na Capoeira Angola




A Capoeira é uma das mais famosas artes marciais do Brasil, com raízes na cultura afro-brasileira. Dentro da Capoeira, existem duas vertentes principais: a Capoeira Regional e a Capoeira Angola. A Capoeira Angola é a mais antiga das duas e tem uma abordagem muito diferente em relação à luta na Capoeira.

Um dos grandes mestres da Capoeira Angola é Vicente Ferreira Pastinha, mais conhecido como Mestre Pastinha. Ele nasceu em Salvador, Bahia, em 1889, e desde jovem se interessou por lutas e artes marciais. Em 1941, ele fundou a Academia de Capoeira Angola, que se tornou um dos mais importantes centros de Capoeira Angola do Brasil.

Mestre Pastinha acreditava que a Capoeira era uma arte marcial, mas também uma forma de expressão cultural. Ele considerava a Capoeira como uma forma de resistência e uma maneira de preservar a cultura afro-brasileira. Ele também tinha uma visão muito particular sobre a luta na Capoeira.

Para Mestre Pastinha, a luta na Capoeira não era sobre vencer ou derrotar o adversário. Era uma forma de se testar, de se desafiar e de aprender. Ele acreditava que a luta na Capoeira deveria ser uma dança, em que os movimentos eram realizados com beleza e harmonia. Ele ensinava que a luta deveria ser realizada com respeito e dignidade, sem ferir o oponente.

Na Capoeira Angola, a luta é realizada de forma muito diferente do que na Capoeira Regional. Os movimentos são mais lentos e suaves, e os jogadores ficam mais próximos uns dos outros. A ideia não é acertar o oponente, mas sim mostrar habilidade e técnica. É comum que os jogadores dancem ao som do berimbau, um instrumento musical utilizado na Capoeira.

A Capoeira Angola é uma arte marcial muito rica e complexa, que tem como objetivo preservar a cultura afro-brasileira. A visão de Mestre Pastinha sobre a luta na Capoeira é muito importante para entender essa abordagem. Para ele, a luta não era sobre violência ou agressão, mas sim sobre respeito, cultura e tradição.

Além da sua visão sobre a luta na Capoeira, Mestre Pastinha também tinha uma abordagem única em relação ao treinamento na academia. Ele acreditava que a Capoeira era uma forma de expressão cultural e, como tal, deveria ser ensinada de maneira mais ampla do que apenas os movimentos da luta em si.

Na academia de Capoeira Angola de Mestre Pastinha, os alunos aprendiam não apenas os movimentos da Capoeira, mas também a história e a cultura da arte marcial. A academia era um local de aprendizado não apenas sobre a Capoeira, mas também sobre a história e a tradição afro-brasileira.

O método de ensino de Mestre Pastinha era baseado na observação e na prática. Os alunos aprendiam observando os movimentos dos mestres e dos outros jogadores mais experientes e, em seguida, praticavam os movimentos por si mesmos. Ele acreditava que a prática era a melhor maneira de aprender a Capoeira.

O preparo físico também era uma parte importante do treinamento na academia de Mestre Pastinha. Ele acreditava que a Capoeira era uma atividade física exigente e que os alunos precisavam estar em boa forma para praticar adequadamente. Ele enfatizava a importância do fortalecimento dos músculos e da resistência física.

Os treinos na academia de Mestre Pastinha eram realizados em uma atmosfera de respeito e camaradagem. Ele acreditava que a Capoeira deveria ser uma atividade divertida e prazerosa, e que os alunos deveriam aproveitar o tempo na academia para se divertir e se socializar. A academia também era um local onde as pessoas podiam se conectar e compartilhar sua cultura e tradições.

Em resumo, a academia de Capoeira Angola de Mestre Pastinha era mais do que apenas um lugar para aprender movimentos de luta. Era um lugar para aprender sobre a cultura e a história afro-brasileira, fortalecer o corpo e a mente, e fazer amigos. Sua abordagem única ao treinamento e ao ensino ajudou a preservar a tradição da Capoeira Angola e a difundir a cultura afro-brasileira para as gerações futuras.

Fontes Bibliográficas:

ASSUNÇÃO, Matthias Röhrig. Capoeira: The History of an Afro-Brazilian Martial Art. Routledge, 2005.

CAMARA, Waldeloir Rego. O Jogo de Capoeira: Cultura Popular do Brasil. Editora Itatiaia, 1976.

FERNANDES, Marcus Vinicius. A Capoeira Angola na Bahia: Um Estudo Sobre a Escola de Mestre Pastinha. Editora Unicamp, 2005.

LAPA, Pedro Abib. Capoeira Angola: Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda. Editora UFBA, 2007.

MENEZES, Rafael. Capoeira Angola: Memória e Jogo. Editora Senac São Paulo, 2008.

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